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Executivo aprova reforço de compensações para os comerciantes do Mercado do Bolhão

23 de novembro de 2021

Foi aprovada por unanimidade a revisão dos valores das compensações para os comerciantes do Mercado do Bolhão face ao reajustamento do prazo de conclusão da obra. Trabalhos de restauro e modernização devem estar terminados ainda este ano, e durante o primeiro trimestre de 2022 decorrerá a instalação de equipamentos e outras adaptações. Abertura ao público está prevista para o segundo trimestre do próximo ano.

 

A cidade do Porto está mais perto de reencontrar-se com o Mercado do Bolhão. A obra de restauro e modernização deste espaço icónico deverá estar concluída até ao final do ano, seguindo-se a instalação de equipamentos para os comerciantes e outras adaptações nos espaços comerciais, a realizar durante o primeiro trimestre de 2022. Disso mesmo deu hoje conta o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, na reunião privada do Executivo que teve lugar nesta segunda-feira, na Sala das Sessões dos Paços do Concelho.

 

“A nossa expetativa é que a obra fique pronta em dezembro. Depois haverá alguns trabalhos que têm de ser feitos nas lojas a quem já foram entregues as chaves, que têm de fazer as suas adaptações, e relativamente a instalações de equipamentos para os comerciantes do terrado”, indicou o autarca.

 

A reabertura ao público deverá ocorrer durante o segundo trimestre de 2022, acrescentou: “Os comerciantes querem instalar-se no final do primeiro trimestre. Foram eles que nos pediram para não mudar antes, porque nesta altura é quando vendem mais. Há um momento de transição em que eles têm de pegar nas coisas num lado e passar para o outro. O mercado durante uns dias tem de estar fechado, e nesta altura não faria sentido. Este assunto está a ser gerido com eles. Um dos sucessos deste modelo tem sido o diálogo permanente com eles, tentando adequar ao que eles nos dizem. É este o estado da arte”, resumiu Rui Moreira.

 

O presidente da Câmara do Porto falava durante a discussão da proposta de reforço dos valores para o pagamento do Valor Mínimo Garantido de Sobrevivência aos comerciantes do interior do Mercado do Bolhão e aos inquilinos do exterior, e de retificação dos valores para o pagamento de obras de adaptação dos restaurantes, aos comerciantes do interior, subscrita pelo vereador do Turismo e Comércio, Ricardo Valente.

 

“No desenvolvimento da empreitada de restauro e modernização do Mercado do Bolhão, por vicissitudes várias que condicionaram a execução dos trabalhos, torna-se necessário um reajustamento ao prazo de conclusão da obra”, podia ler-se no documento, que aludia às compensações a atribuir aos comerciantes, aprovadas em 2017 pelo Executivo, assim como às verbas disponibilizadas para obras de adaptação dos espaços interiores e exteriores do edifício. “Entende o município dever continuar a assumir o compromisso de pagamento das indemnizações decorrentes dos acordos celebrados”, frisava a proposta, que foi aprovada por unanimidade.

 

Impacto da pandemia

 

Questionado pela vereadora Rosário Gambôa, do PS, relativamente aos atrasos na obra que sejam da responsabilidade da empresa construtora, Rui Moreira explicou que a questão será analisada detalhadamente. “Há atrasos que serão, em tempo, imputados à construtora. Há outros que não podem ser imputados à construtora. Por exemplo: os estudos do estado de conservação do mercado, nomeadamente numa parte significativa do betão, admitiam que estivesse em melhor condição do que realmente estava. Não se ia alterar o projeto em nada, é tudo igual. Em vez de ser aquele betão, é um betão novo. Mas, tratando-se de um monumento nacional, isto teve de ser levado à Direção Geral do Património Cultural e demorou mais de seis meses a ser resolvido”, explicou.

 

“Houve problemas com escavações, com infraestruturas, problemas arqueológicos que não estavam previstos. Nós não podemos considerar que tudo aquilo que aconteceu com o Mercado do Bolhão possa ser imputado ao construtor, mas a GO Porto está muito atenta a essa matéria. Tivemos também questões relacionadas com a pandemia: a lousa que foi substituída vinha de um fabricante em Espanha e, subitamente, por causa da pandemia, não veio. Há materiais que, pura e simplesmente, deixaram de estar disponíveis”, acrescentou o presidente da Câmara do Porto.

 

O vereador Vladimiro Feliz, do PSD, questionou qual a previsão efetiva de entrada plena em operação do Mercado do Bolhão, tendo Rui Moreira reafirmado os prazos citados. “Acredito que teremos o mercado a funcionar como nós nos habituámos. Repito: vivemos tempos difíceis, tenho tido sempre muito cuidado em anunciar datas. Temos de ter prudência maior do que a prudência habitual. Temos encontrado da parte dos empreiteiros uma grande vontade em acabar a obra. É uma obra de grande complexidade”, reforçou.

 

Uma sugestão da vereadora Ilda Figueiredo, da CDU, de o Executivo municipal fazer uma visita ao mercado foi acolhida por Rui Moreira, que concordou que será “interessante ver como as lojas estão a ser reconstruídas naquilo que era a sua essência”. “Descobriram-se coisas muito interessantes, muito bonitas. Outra questão muito importante é o túnel de acesso: um dos grandes problemas de todos os modelos que tinham sido apresentados, havendo a necessidade de uma cave no Bolhão, é que criavam à volta do Bolhão bocarras horríveis. O que vai ser extraordinário é que as mercadorias vão poder chegar ao Bolhão sem que nós vejamos um único camião ou carrinha que seja. E todas as saídas de lixo, de detritos, também vão sair por baixo, não estão à vista. Toda essa parte está pronta”, concluiu o presidente da Câmara do Porto.

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