© Miguel Nogueira

Concurso para o Bolhão está pronto

14 de novembro de 2016

Depois das obras que já decorrem no subsolo junto ao Mercado do Bolhão, em 2017 arrancarão as obras de reabilitação do edifício. O concurso está pronto a ser lançado e será amanhã explicado aos vereadores em reunião pública de executivo.

 

A reabilitação do Mercado do Bolhão começou a ser reclamada há quase meio século, mas foi nos anos 80 que uma inspeção da Câmara do Porto identificou a urgência e a gravidade do problema. O edifício sofre de danos estruturais que se prendem com problemas no subsolo, além da degradação natural que um século de erosão lhe provocou. Desde logo foi identificada a necessidade de intervir a fundo, retirando os vendedores provisoriamente e voltando a devolvê-los após as obras.

 

Contudo, desde então, sucederam-se vários mandatos autárquicos e vários projetos para o mercado, uns mais consensuais do que outros, uns mais interventivos do que outros. Alguns propunham mesmo a transformação do mercado numa espécie de centro comercial, abandonando a sua vertente de mercado de frescos e os seus vendedores tradicionais.

 

A verdade é que, apesar das sucessivas promessas eleitorais e da elaboração de projetos, a reabilitação do mercado nunca aconteceu. Hoje, o edifício sofre de problemas graves de estabilidade, está seguro por estacas e não apresenta condições de segurança e higiene alimentar ou acessibilidade compatíveis com a legislação em vigor.

 

Em abril de 2015, depois de vários estudos de viabilidade, Rui Moreira apresentou o seu projeto para o Mercado, preservando a vertente de frescos e todas as características públicas. Ou seja, o mercado não seria vendido, não seria concessionado, não seria desvirtuado e preservará os seus vendedores. A elaboração do projeto foi entregue à responsabilidade do arquiteto Nuno Valentim, premiado por obras de reabilitação urbana na cidade.

 

Em janeiro de 2016 o projeto recebeu parecer favorável da Direção Geral da Cultura, por cumprir as normas e requisitos da preservação do património, uma vez que o edifício está classificado.

 

Em abril de 2016, Rui Moreira entendeu informar os vereadores em privado sobre novos pormenores do projeto e em julho foi anunciado, numa reunião pública de Câmara extraordinária o cronograma provisório da intervenção. Na altura, Rui Moreira anunciou também que os vendedores seriam temporariamente transferidos para o Centro Comercial La Vie, a poucos metros do mercado, interagindo com a mesma estação de Metro.

 

Todas as forças políticas concordaram com a forma como a Câmara decidiu intervir, preservando a vertente do mercado, os seus vendedores e devolvendo à cidade um mercado de frescos de gestão pública.

 

Pouco tempo depois, a 1 de agosto, iniciaram-se as obras no subsolo, que permitem desviar infraestruturas que tornariam impossível a intervenção no edifício e a criação de uma indispensável cave técnica. Estas obras estão a cargo da Águas do Porto. Os vendedores, durante este período, poderão permanecer e o mercado mantém-se em funcionamento. Mas, quando arrancarem as obras no edifício e por razões de segurança, terão que sair para o La Vie.

 

A localização do mercado temporário chegou a ser equacionada para outros locais, como o quarteirão de D. João I, mas a Câmara não chegou a acordo com os proprietários e o calendário da reabilitação daquele espaço também não coincidia com a do Bolhão. A hipótese de transferir o mercado para um parque de estacionamento como Silo-Auto ou Trindade apresentava piores condições comerciais para os vendedores.

 

A Câmara promete tudo fazer para promover a nova localização, dar formação e condições aos vendedores, devolve-lhes o direito de sucessão e mantém taxas reduzidas enquanto durarem as obras. No regresso ao mercado, dentro de dois anos, os vendedores têm a garantia de manter as taxas que estão atualmente inscritas no regulamento.

 

Com o lançamento deste novo concurso, que amanhã será explicado, a cidade fica com a garantia de que, finalmente, ao fim de décadas de promessas, avanços e recuos, de projetos e alguma polémica, o mercado será reabilitado, a sua traça e caraterísticas tradicionais serão preservadas e os vendedores que queiram continuar e regressar terão todas as condições para o fazer.

 

Esta terça-feira, mais uma vez, o projeto e a delicada intervenção que será feita no centenário e periclitante edifício, serão mais uma vez explicados de forma pública. Os vendedores sairão apenas em 2017, passando ainda este Natal no seu mercado. Regressarão dois anos depois e o Porto verá cumprido, finalmente, um dos seus mais profundos e legítimos desejos: ver o Mercado do Bolhão devolvido à cidade, estável, público e tradicional.

 

 

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