© Miguel Nogueira

Comerciantes do Bolhão no La Vie

27 de julho de 2016

O centro comercial "La Vie" Porto (antigo Plaza) vai acolher temporariamente, a partir do primeiro trimestre de 2017 e durante cerca de dois anos, os comerciantes do Mercado do Bolhão, anunciou hoje o presidente da Câmara do Porto em reunião extraordinária de Câmara sobre o tema.

 

Rui Moreira explicou aos vereadores alguns pontos fundamentais do programa de restauro e modernização do mercado numa reunião extraordinária de executivo, que teve o Bolhão como ponto único na agenda de trabalhos.

 

"O La Vie é a melhor solução" para mercado temporário, por ser muito próximo daquele espaço emblemático da cidade, por "ser um sítio muito confortável com boas ligações ao metro", afirmou o autarca em declarações aos jornalistas.

 

Os comerciantes ficarão ali instalados durante o período de realização da empreitada, prevista para o primeiro trimestre de 2019 e que terá a primeira fase (desvio de uma linha de água) a arrancar já na próxima semana, a 1 de agosto e que vai durar cerca de nove meses.

 

 

"Estamos a fazer um mercado para os próximos 30 anos", afirmou o autarca na reunião, acrescentando que a cidade vai ter "um mercado tradicional, de frescos", e a autarquia vai "respeitar e preservar os direitos" de todas as pessoas "que ainda lá trabalham", elogiando o facto de terem "resistido tanto tempo".

 

Rui Moreira sublinhou que, no final da empreitada, o mercado será sustentável com uma ocupação de 80% e admitiu conseguir "ir buscar outras receitas na área do 'merchandising' e do mecenato".

 

"Acreditamos que isto não vai onerar as contas futuras da Câmara", vincou, acrescentando que, mesmo sem a verba do PEDU destinada ao Bolhão, "a Câmara tem neste momento os recursos financeiros disponíveis para esse investimento" global de 27 milhões de euros, disse.

 

Moreira afirmou não considerar que a existência de um mercado temporário durante dois anos acabe com o Bolhão, afirmando que os lojistas "vão precisar de um tempo de adaptação às novas regras", sendo que a câmara acabou por "fechar os olhos a um conjunto de ilegalidades" durante muito tempo.

 

"Quem faz compras no Bolhão, quem são? Os turistas, e então os comerciantes que estavam legalizados para vender fruta estavam a vender camisolas do Cristiano Ronaldo e é natural, porque se assim não fosse tinham morrido", disse, "vamos precisar de um tempo de adaptação, de um tempo de formação "( em questões de salubridade e limpeza, por exemplo).

 

O presidente da Câmara do Porto assegurou, também, que as taxas pagas pelos comerciantes vão manter-se, para já, iguais com a atual redução (na ordem dos 40%) e que, no regresso ao Bolhão, não vão sofrer aumentos, relativamente ao que estava estipulado antes de aplicada a redução.

 

Para Moreira, este projeto de restauro e modernização do Bolhão "é muito prudente e pouco aventureirista".

 

"Estamos a fazer isto muito virado para as pessoas, muito destinado aos cidadãos do Porto e arredores, com questões logísticas acauteladas. Não vamos ter aqui uma Disneyland, vamos ter um mercado mesmo, onde pretendemos que as pessoas voltem a fazer compras, e também assim acreditamos que as pessoas voltem a viver na cidade", afirmou o autarca aos jornalistas.

 

De acordo com informação disponibilizada hoje pelo Gabinete do Mercado do Bolhão, a empreitada do desvio de água, que não terá qualquer implicação para os comerciantes, ficará concluída no primeiro trimestre de 2017, altura em que serão transferidos para o mercado temporário.

 

A empreitada de restauro e modernização do Bolhão terá início no segundo trimestre do próximo ano, bem como a construção de um túnel de acesso a uma cave logística no mercado - para cargas/descargas -, que terá início na rua do Ateneu Comercial do Porto.

 

A criação da cave logística é considerada determinante para dotar o mercado das condições de funcionamento essenciais a um mercado de produtos alimentares do século XXI e quase todas as melhorias ficam nessa cave: as cargas e descargas dos comerciantes, libertando a envolvente; as arrecadações e arrumos de cada comerciante; as instalações de frio e de produção de gelo; o tratamento adequado dos resíduos; a circulação dos géneros alimentícios em condições de higiene e as instalações de apoio aos comerciantes: balneários e vestiários.

 

Note-se, ainda, que o Gabinete do Mercado do Bolhão, entre novembro de 2014 e fevereiro de 2015 instalou-se dentro do edifício e fez entrevistas individuais aos 129 comerciantes (93 interior + 36 exterior), de modo a auscultar as intenções e preocupações de cada um.

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